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#CA | Especialistas apontam os maiores desafios para a educação indígena e tradicional


O especial #Educação conversou com quatro especialistas da área para saber quais são os maiores desafios da Educação Indígena e Tradicional que os presidentes devem enfrentar na Cúpula das Américas

Fonte: Carta Capital


Infraestrutura


A infraestrutura é apontada como um fator sério que necessita de investimento. Segundo o Censo Escolar (2017) do Brasil, 30,93% das escolas indígenas não dispõem de um espaço físico construído pelo poder público para funcionar. Para contornar o problema, aulas ocorrem em locais improvisados, como casas comunitárias ou emprestadas de professoras(es) e moradores da região. “Isso é uma vergonha nacional e tem impacto direto na qualidade da aprendizagem. Imagine uma escola funcionando sem prédio próprio. Significa que tudo é improvisado e precário: não tem cozinha, biblioteca, laboratório, refeitório, não tem lugar para guardar livros. Acho que isso é um grande desafio”, coloca o antropólogo e indígena Baniwa Gersem José dos Santos.


Formação Docente


Há um certo consenso, baseado na ideia de autodeterminação, de que a condução dos projetos pedagógicos – seja no que se refere aos profissionais, seja no que se refere ao material didático – deve ser feita pelos próprios indígenas. “Durante muito tempo, a educação escolar indígena brasileira tinha esse modelo de professor não-índio ensinando na aldeia. Professores que desconheciam costumes, tradições, língua etc. Um professor que não conhece a cultura e a língua do grupo tem muito mais dificuldade. Então se abandonou essa prática e se começou a investir na aldeia com a proposta de formar membros das próprias comunidades indígenas para ensinar suas crianças”, conta o antropólogo Luis Grupioni.


Para alguns povos indígenas, o ideal seria uma educação indígena realizada com e sobre os conhecimentos tradicionais, sem necessidade de uma integralização do currículo formal. Já os povos ciganos apontam que até hoje não foi realizado qualquer projeto que leve em conta sua realidade itinerante. Como fazer que seus filhos possam frequentar e ter seus conhecimentos valorizados na Escola?


Para suprir essa demanda, universidades, estimuladas por editais federais ou convênios com secretarias de educação, organizaram formações específicas de professores indígenas para a educação escolar indígena. Apesar disso essa abordagem está longe de ser um consenso. AInda não foi colocado à nível de matriz orçamentária de Universidades o planejamento para formação de estudantes indígenas, sendo considerados ainda uma excepcionalidade e/ou em regime de vagas restantes.


Material Didático


Assim como a docência, a produção de materiais didáticos deve ser conduzida pelos próprios indígenas, considerando o idioma local e as especificidades de cada cultura. Como exemplo de um modelo interessante de produção de materiais, Jozileia cita a Ação Saberes Indígenas na Escola.


“Ela leva em consideração as/os professoras/es indígenas, as/os mais velhas/os dentro de cada comunidade, e tem produzido materiais didáticos super interessantes. Os mais velhos das comunidades, normalmente, são os que sabem das tradições. Então elaborar materiais a partir do conhecimento deles na troca com jovens e crianças é importantíssimo” conta.


Formadora do Saberes em três terras indígenas do estado de São Paulo, Tenonde Porã, Rio Silveira e Jaraguá, a doutoranda em antropologia Tatiane Klein conta que “fazer material didático específico envolve um processo complexo de pesquisa sobre conhecimentos tradicionais”. Ajudar as(os) professoras(es) a pensar como pesquisar, registrar e sistematizar esses conhecimentos é um dos desafios postos.


Segundo o Censo Escolar, 33% das escolas indígenas não possuem material didático específico para a diversidade sociocultural. “Há ainda há um déficit na produção de materiais”, aponta Joziléia. Além da ausência de materiais para todas etnias, outro problema identificado pela professora é o escanteio dos já existentes. “Percebo que as escolas que ainda tem dentro delas muitos professores não-indígenas, ou a direção escolar e coordenação pedagógica não- indígena, na maioria das vezes pecam não usando os materiais da educação indígena. Elas preferem outros materiais ou trazer muitos elementos externos e desconsiderar os materiais produzidos para as escolas indígenas”, lamenta.


Fonte: Carta Capital, adaptado


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